quinta-feira, 29 de novembro de 2012

As Memórias

Vou sempre recordar aqueles Verões malucos em que fazíamos tudo sem pensar em nada. Vou sempre recordar as cantorias no carro e o escaldão nas costas. Vou sempre recordar as tardes na piscina, os passeios de bicicleta e os finais de tarde abrasadores. As nossas listas infinitas de sonhos e a nossa iniciação na escalada. O nosso acampamento e Olhão. As saídas à noite. Os bailaricos. Os nossos beijinhos depois da saudade. Vou sempre recordar-te. As tardes de ratinhos de biblioteca e as nossas conversas intermináveis. Tudo o que fazíamos às escondida. As passagens de ano e todas as bebidas que bebemos. Todas as pessoas novas que conhecemos. Os dias de greve, as torradas e o sumo de laranja. Fomos ladrões de romãs. A bóia e as parvoíces de uma tarde de praia. A praia no Inverno. O sossego da noite quente. O Halloween. A Holanda. Fomos exploradores da vida, dos livros, do conhecimento. Armação de Pêra às 7 da manhã. O nosso amor de inocência. As pousadas da juventude e as fotografias sem sentido. O Mitto's e o Tropic. Fomos modelos de passerelle, artistas de circo, actores de teatro. Fomos isso e tanto mais... Fomos felizes sem saber que o éramos. A vida começou muito antes de Lisboa, antes éramos nós, na mais verdadeira acepção da palavra. Nós puros, cheios de juventude e amor. Fomos nós até à pouco tempo. Depois descobrimos que o mundo está podre, que não há lugar para os sonhadores. Fomos atirados para a vida e não nos disseram o quão difícil era. Agora não nos vemos, não nos falamos, não nos tocamos. Tudo passou. Estamos felizes?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A devanear pelo novo álbum de B Fachada e pela minha apresentação de amanha sobre o Gandhi, disperso-me em pensamentos sobre os meu novo piercing e os sapatos que tenho que mandar vir já, se ainda os quero usar no dia dos meus anos. Passa-me pela cabeça suaves nuances de memórias do Algarve e outras tantas daqui. Assombra-me a memória e a saudade, não fosse eu portuguesa. Reparo que a minha room mate tem um calendário todo pipi em cima da escrivaninha, reparo também que chegou a altura de me preparar para o adeus. O terrível adeus de quem abandona a vida universitária, de amigos que nada mais fazem em Lisboa. Cá vamos nós outra vez para as despedidas. Não quero pensar nisso, ainda. Tenho que me apressar, o tempo escasseia para a preparação da apresentação.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Will Branden

E aqui deixo mais um fotógrafo excelente que é muito do meu agrado. As fotografias captam toda a essência e a serenidade que merecem. Captadas nos mais variados ambientes, é possível percepcionar todo o envolvente, tendo simplesmente uma foto. Se Ryan McGinley deixa antever toda a vivência juvenil, Will Branden aposta no conceito de viagens e ambientes envolventes. Ambos muito bons.



















terça-feira, 20 de novembro de 2012

It wasn't meant to be.


para as pessoas

As pessoas não são a melhor coisa do mundo. Somos maus, egoístas, destruímos o nosso próprio planeta e temos uma facilidade enorme para nos odiarmos mutuamente. Vivemos num mundo onde é mais fácil odiar do que amar. Agora digam-me, não estamos nós todos errados? A verdade é que não somos, de todo, donos da verdade. Estamos tão errados na forma como vivemos, é por isso que nunca vamos ser felizes.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Hoje vou falar dos outros, do que eu descobri das pessoas ultimamente. As pessoas são fechadas, adversas à mudança e ao que é diferente. Então hoje com isto tudo da manifestação se viu bem. Vivemos num país de verdadeiros e profundos atrasados mentais. Não concordei com a greve, acho até que numa tão profunda crise esse direito devia ser suspenso tendo em conta os milhões que se perdem, e ainda digo mais as pessoas deviam era estar agradecidas de terem um trabalho e não ocupadas a arranjarem formas de escapar ao mesmo. Quanto às manifestações apoio totalmente, um povo calado quando tudo está mal é meio caminho andado para o autoritarismo, que repugno. No entanto, a violência não é o caminho, persistência é o que nos falta, não pôr a arder coisas. Eu compreendo que Portugal seja, neste momento, um país super amargurado pela crise, mas o que me preocupa é que quem vai às manifestações armar confusão não são as pessoas que passam reais dificuldades, o que eu vejo são jovens que vivem desafogados economicamente com a mania que são revolucionários. Este país é uma autêntica vergonha e as pessoas ainda o são mais. O que eu vejo à minha volta são pessoas sem objectivos, habituadas a um estilo de vida burguês e que não se interessam por absolutamente nada. Criticam tudo o que não percebem, como vejo no facebook pessoas ignorantes a criticarem a manifestação. Opiniões são opiniões, mas assim se vê o tipo de pessoas que existem. Sem pretensões e sem sonhos. E depois vem a maldita ditadura dos partidos, "ah eu não critico nada disto porque é o meu partido que está no poder", mas será que eles acreditam mesmo que as coisas estão bem? Que o nosso futuro não está a ser roubado? Será que não estamos a todo o custo a trabalhar para pagar uma divida que em nada vai resolver os profundos problemas da sociedade portuguesa? Tanto me faz que seja o PSD, o PS ou o PCP que esteja no poder, se as coisas estão mal há que tentar mudá-las, nem que seja pela via da manifestação. É claro que pelo que vejo a manifestação em nada altera a situação, mas para mim já se tornou mais uma questão de manutenção da democracia, porque já se viu que não se vai chegar lá pelo simples acto de votar, não é mais um garante de que vivemos em democracia. O que eu sinto é que aquilo pelo que o meu avô lutou em 74 está a ser deitado abaixo, e isso é que não pode acontecer. Enquanto eles souberem que o povo está presente e não se abstém simplesmente destas questões, encurta-se o espaço de manobra das elites governativas. Mas agora voltando às pessoas, o que eu vejo são pessoas sem cultura a criticarem tudo o que não percebem. E depois há aquelas ideias pré-concebidas disto e daquilo, às vezes fazia-vos bem irem ao google pesquisar alguma coisa de útil. Às vezes fazia-vos bem não serem tão quadrados. Ainda para mais alunos que estudam política, sim uma cambada de falsos moralistas é o que vocês são.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aqui vamos nós

E hoje ao ver-te olhar para mim, com um ar de quem estava ligeiramente arrependido das decisões que tinha tomado, apercebi-me de que eu também errei. Fui quem sou, sem nunca deixar de o ser por um segundo só, mesmo que isso não agradasse às pessoas. Foi por ser sempre fiel a mim mesma que tornei as coisas tão complicadas. Talvez se me tivesse deixado ir em simpatias, agora estava nas nuvens, assim estou só meramente feliz. Pareceu-me que ela sabia de alguma coisa, se calhar foste desabafar com ela. Assim percebo o quanto és fraco de espírito, que não sabes medir as coisas e que acima de tudo não me conheces. Eu perdoo-te por tudo e por nada do que fizeste. As coisas voltaram a estar nos eixos, e talvez tenha sido pelo melhor. Só mesmo porque eu e pessoas fracas de espírito não nos damos particularmente bem. Só porque também não me dou particularmente bem com pessoas que não cumprem a sua própria palavra. 

sábado, 3 de novembro de 2012

Senti de novo necessidade de escrever. Talvez seja por me doer bastante, por ter depositado demasiadas esperanças nas pessoas e todas elas terem saído furadas. Ou talvez seja simplesmente por me sentir mal comigo mesma e não com as pessoas. Uma das duas coisas se passa. É incrível como algo que se passou há tanto tempo ou algo tão pouco profundo me consegue afectar tanto. Sempre que penso no que se passou mais recentemente, vou sempre bater ao que se passou há quase um ano atrás. São as semelhanças, as terríveis semelhanças que me fazem perder toda e qualquer esperança que poderia ter restante. E depois esta terrível nostalgia que me deu hoje. Mas tudo recomeça, é o fim de um ciclo. Siga para o próximo, esperando sempre o melhor. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Ditadura

Hoje dizia-se no autocarro, em conversas de sabedoria popular, que a história repete-se de tempos a tempos, e que por essa razão íamos ter, de novo, um regime ditatorial. Questiono-me se acontece o mesmo na nossa vida pessoal. Será que é possível a história repetir-se? Já há uma ditadura na minha vida, é a minha ditadura, eu sou a senhora de mim mesma. Mas com tudo o que se tem passado, acho que está na hora de uma mudança no regime. Talvez não esteja a tomar as medidas adequadas para me governar a mim mesma. Vou administrar um golpe de estado dentro da minha cabeça ao meu eu super autoritário e poderoso. Agora virá um eu menos severo, mais calmo e moderado, mais equilibrado, essencialmente. Esperemos que tome medidas de acordo com aquilo a que se compromete. "Vais ser mais feliz, as pessoas vão-te achar uma melhor pessoa e se fores uma pessoa mais fácil, talvez alguém se dê ao trabalho de perder aquele tempo que é necessário para te compreender, já que, e tens que admitir isso, até agora ninguém ficou", diz o eu moderado. Não sei se acredito. As minhas eleições estão a decorrer neste exacto momento, numa longa introspecção, que já dura há algum tempo. Mas eis que vejo a liberdade, a total liberdade do meu ser. Não, não é a anarquia. É algo muito melhor, muito maior. Transcende-me. É o sonho, o sonho do Quinto Império, na minha cabeça e na minha alma. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Renovação


Que alívio! Foram as únicas palavras que consegui proferir depois daquela conversa renovadora para o meu ser. Acho que tomei a decisão acertada. Aquela situação estava a consumir-me demasiado, estava a tornar-me numa pessoa que não sou. Agi como tinha de agir, porque antes do amor a seja o que for, temos que ter amor-próprio. Eu estava a entrar num círculo, que estava difícil de quebrar. Ah como me sinto aliviada. Aquela não era eu. E tive mesmo de quebrar com tudo, eu sou muito senhora do meu nariz para ter pessoas a toda a hora a dizerem-me o que eu tinha de fazer. Não faz parte do meu ser ter que lidar com estes dramas e com estas questões que não me fazem muito sentido. Sinto-me muito melhor. Foi uma renovação. A minha mãe sempre me encorajou a fazer aquilo que me faz feliz. Pois foi isso mesmo que fiz. Fiz o que me fazia feliz, e arrependo-me ligeiramente de algumas coisas. E agora fiz exactamente a mesma coisa. Talvez também me arrependa, se isso acontecer, já aprendi mais alguma coisa na minha curta vida. Fiz o que tinha a fazer com quem tinha de fazer. Não quero mais aparato, só quero que respeitem a decisão e curar a enorme ferida que fiz e fizeram a mim mesma, na minha tentativa de fazer o que me faz feliz. Enfim, um texto pouco bonito, só para expressar o meu estado de espírito neste momento. É altura de sarar, longe de tudo. 


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.", lá dizia o poeta. Qual é o destino dos falhados? Não percebo o karma. E sabem aquela altura em que tem mil coisas cá dentro mas nem conseguem pôr isso em palavras? Sim, essa sou eu neste momento. Só queria entrar numa transe e quando saísse os problemas tinham acabado e tinham-se resolvido e eu não sentia mais nada, porque os sentimentos são a porta mais fácil para o sofrimento. É uma linha tão ténue, aquela que separa os dois opostos que, ao mínimo movimento, tudo pode desabar. A vida era tão fácil antes de tudo isto acontecer, agora todos os dias me parecem maus.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dia mau

Há muito que esta vontade de desertar me assombra. Há muito que sinto que o meu lugar não é mais aqui e há muito que sei que não é aqui que quero estar, não é aqui que a minha alma pertence. Está na hora de fazer alguma coisa que realmente me tire o fôlego. Tanto que já lá vai desde que fiz alguma coisa que realmente me tirasse os pés do chão, que fizesse o meu coração saltar do peito. Tudo o que penso que vai ser aquele momento na vida, que vele por mil, sai sempre ao contrário. Sinto que está na hora de quebrar com tudo de uma vez. Vou tomar uma decisão de uma vez por todas, escolher o que quero para mim. Será que o problema sou eu? Começo a acreditar que sim. Dizia-lhe no outro dia, que não era ela que estava mal, mas sim o mundo, mas neste momento não tenho mais certezas disso. O mundo é um sítio estranho para mim. Este mundo está completamente virado ao contrário. As pessoas têm que definir prioridades de uma vez por todas, e deixar de magoar as outras. Sei que daqui a uma semana já vou estar renovada, agora foi o choque. O choque de seres exactamente como ele, o choque de existirem pessoas egoístas, muito egoístas. Eu acho que sou simplesmente eu que está mal, o resto está tudo como devia ser. Não há almas gémeas, há simplesmente pessoas destinadas a ficarem na solidão para a eternidade. Porque as coisas não são todas cor-de-rosa. Porque as pessoas não são todas boas, porque nós não somos pessoas boas. E sim eu já sabia que me ia magoar, eu saio sempre magoada, sempre. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Coisas do coração

Tenho tanto medo. Logo eu, a quem nada atormenta a não ser um bichinho ou outro. Não me conhecia esta faceta. Ter medo de arriscar. Deixaste-me medricas com estas coisas. A culpa foi tua. Se antes não tinha qualquer receio de me atirar de cabeça nestas situações. Agora penso duas vezes, porque sei o quanto dói se não correr bem. Ah e na minha cabeça tudo vai correr mal, só consigo pintar um cenário negro, porque pintar o bom cenário seria sonhador de mais (até para mim). E eu penso que se calhar é pedir de mais que as coisas corram bem, que se calhar nem mereço, por isso é que acabo sempre mal. Tenho um mau karma por ser injusta com as pessoas, por vezes. Talvez exista uma alma gémea, nisso tens razão, mas provavelmente ou ela passa por nós e não a vemos ou nunca a vamos encontrar. Aqueles que têm a sorte de descobrir a alma gémea são uma minoria. É só uma questão de sorte. É como a música diz: querer o melhor, mas esperar o pior. Enfim, temos os dois lado da moeda, ou nos entregamos e é tudo muito lindo ou, como acontece quase sempre, acabamos por nos magoar mutuamente. E ele não foi egoísta, eu compreendo-o, às vezes é necessário um reencontro com nós mesmos na confusão que é este mundo. Viver uma vida de errância é o mais poderoso dos sonhos. É aquele que nos obriga a quebrar com tudo e todos. Quando os padrões da sociedade não servem mais. Mas essa não tem que ser necessariamente solitária, foi esse o seu grande erro. Porque a felicidade só é real quando é partilhada. Se me perguntassem neste exacto momento o que é que eu quero? Eu respondia que era partir. Não o mesmo partir de quando tinha 16 anos e achava que o mundo não me compreendia, mas o partir de quem já compreende o mundo e não gosta do que vê. Levava-te comigo, viveríamos essa vida de errantes eternos. O mundo ia ser o nosso lar. Quando te descobrir, levo-te comigo e partimos, partimos os dois sem destino, só com a felicidade no horizonte. 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

No outro dia dizia-te que não sabia como é que, de repente, tudo tinha ficado tão confuso. É uma verdade, não sei. Tu és uma experiência de vida, mas tu e eu não somos iguais. A tua racionalidade impede-te de estares comigo a 100%, sempre a pensar no que virá. Não acreditas no "um dia de cada vez", mas deixa-me acreditar. Adopta aquela atitude de fazer o que te faz feliz, sem reservas. Maças-me com a tua racionalidade. Podes ser um sonho, mas não és o meu sonho. Eu preciso de alguém que sonhe comigo. Não, eu não quero falar de política, estou farta disso, nem sequer gosto. Não podemos falar em amor. O amor não pode ser racionalizado. O amor é um sonho, uma situação hipotética. E sente-se. Tu sentes aquelas borboletas no estômago. Perdoa-me por ser uma alucinada, mas sinto-me bem assim. Quando fores capaz de levar com o vento na cara, enquanto dás a mão a alguém, em silêncio, podemos conversar, não de coisas racionais, mas de coisas patéticas. Porque nós somos jovens, livres e eu, em particular, vou ser sempre uma criança grande. Porque a vida é demasiado séria, para ser levada a sério. 
Não me apetece passar por tudo isto outra vez. O medo de ficar entregue ao sofrimento invade-me, logo a mim... Mas sinto-me bem quando estou contigo, ainda mais sabendo que é um belo desafio. Ah e como eu não viro costas a um desafio. Talvez seja a minha alma, cheia de apetite de desafiar as regras que está a falar mais alto. Mas eu gosto de ti. E quantas saudades não tinha eu de ter alguém comigo... Continua tudo tão enublado, tal e qual o tempo lá fora, mas estou feliz, estou estranhamente feliz no meio da confusão que tem sido a vida. E quanto mais me dizem para não fazer, mais vontade me dá, mesmo que depois me arrependa já valeu a pena. E de repente, tudo ficou tão complexo e confuso. Uma confusão que dá cabo de mim, deixa-me só de pele e osso. Mas para quê a confusão? A vida é tão simples. Vai vivendo e depois logo se vê, e acima de tudo tens que estar feliz, sem afectar a felicidade dos outros. Ao afectar a felicidade dos outros, vem o maldito do karma dar cabo de nós. Sejamos felizes, se faz favor. 


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A quietude do meu ser

Quem me dera. Quem me dera ser de novo aquela criança inocente que só sentia. Sentia simplesmente sem a impossibilidade que é o pensamento. É pensando que nos privamos das melhores coisas. Quanta beldade teria o mundo se pura e simplesmente sentíssemos sem restrições, se conseguíssemos ver a beleza. Estamos demasiado condicionados por banalidades. Eu digo aqui e agora que chegou a hora! Chegou a hora de libertar as amarras e seguirmos o nosso caminho. Atingi a paz, mas falta-me a paz interior. Falta-me fazer as pazes com o meu interior e definir prioridades, por mais ridículas que sejam. Não seguirei por caminhos que não são os meus. O meu caminho é aquele que, por mais sinuoso que pareça, lá ao fundo vai estar o pote de ouro. Não ouro de riqueza material, mas ouro de riqueza espiritual, de quietude. Está a faltar isso. Está irremediavelmente a faltar isso. Mas, como que num sinal de esperança, lá vem a força que me impele. Um retiro, uma reflexão e um livro de Kafka, é isso que é necessário.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ontem fiquei absolutamente fascinada com um filme que vi sobre a Califórnia nos anos 70. Bem a minha mãe diz que eu nasci num tempo que não é o meu. Talvez seja por não me conformar ou simplesmente por ter estado perdida e agora ter voltado a encontrar-me. A verdade é que toda uma época histórica fascina-me e inspira-me, de uma forma que mais nenhuma consegue. Eu acho que são maioritariamente os valores, o resto vem por acréscimo. Mas se for ver bem o cerne da questão, percebo que tudo teve a ver com o meio onde cresci. O sítio que é totalmente saído do Portugal dos anos 60, cheio de hippies de outros países à procura de um reencontro com a natureza. O avô comunista cheio da índole revolucionária. O pai, apaixonado pela música e a mãe, uma artista ecologista. Tudo isto conduziu a ser quem sou. Não vou chamar nomes ao que sou, até porque detesto labels, mas eu sei quem sou. Se quiserem chamar-me alguma coisa, chamem-me uma apaixonada, uma apaixonada por tudo e por todos.


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

“The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes.... " 

Jack Kerouac

sábado, 29 de setembro de 2012

Manif

Este momento valeu por mil. Aquele em que os largos milhares que estavam no Terreiro do Paço, hoje cantaram em uníssono aquela que é uma das músicas da minha vida, não viesse eu de uma família de comunistas. E assim se preenche a vida em Lisboa, com causas.


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Lisboa Style

Haverá cidade que me faça mais feliz? Até à data, não. Ontem tive um daqueles momentos mágicos, que me vêm sempre relembrar porque é que eu amo este sítio. Então fui ver um showcase daquele rapazinho fabuloso com aquelas músicas que são verdadeiros hinos à juventude. Foi surreal e fez, sem sombra de dúvida, o meu dia. É por estas e por outras que eu adoro Lisboa e o seu espírito jovem e de mente aberta. Sem mais delongas, aqui vos deixo mais uma vez com Alex d'Alva Teixeira. 


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sentimento de desilusao

E pronto é isto a desilusão. Hoje passei um dos dias mais horríveis da minha vida. Pus em causa o último ano da minha vida, as pessoas que conheci e as experiências que vivi. Contaram mentiras sobre mim, acusaram-me do que não fiz. O que eu sinto neste momento são náuseas, náuseas das pessoas que pensei conhecerem-me e acreditarem em mim. Mais do que dores no corpo, tenho uma dor na alma que não se equipara a nada. Este dia passou, mas o que se passou hoje vai sempre magoar-me, seja hoje ou daqui a 20 anos. Nunca ninguém tinha sido tão cruel para mim, uma pessoa que eu gostava tanto. Quando a ferida sarar, vai sempre deixar cicatriz. Porque o mundo não gira à nossa volta e os sentimentos das pessoas (por mais incrível que pareça para alguns seres que por aí andam) interessam. Todo o orgulho, credibilidade e amor que eu tinha pelo curso e pelas pessoas que faziam-no como se fosse a nossa casa, morreu hoje. Não voltarei a envergar o traje académico. Tudo o que o traje representa foi desrespeitado à minha frente, hoje mesmo. A amizade, a integração e o divertimento que tanto fazem das praxes uma das melhores épocas das nossas vidas, morreram hoje. Toda a validade que existia foi perdida. O que é que se ganhou? Muitas lágrimas, descontentamento e uma mescla de vergonha por saber que o traje e a tradição académica não passam de uma achada para ocultar os podres mais podres das pessoas. E acreditem que enganam bem. Estou desiludida e magoada. Não guardo rancor de nada nem de ninguém. Mas dói muito, dói mesmo muito. Isto não é a vida real, isto é uma fachada de uma hierarquia de pessoas mesquinhas e mentirosas. Não há ética e moral que resista. Sinto-me envergonhada das pessoas do meu curso, que eu com tanto orgulho apelidava de espectaculares, que afinal têm duas caras. As regras só servem para alguns. E o que ontem foi bem feito, hoje já é um ultraje à praxe académica. Sabem o que é que a "fabulosa" hierarquia académica precisa? De coerência, de coerência nas suas acções. Nao sei como e que eles foram educados mas eu aprendi que cometer injusticas e muito feio.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Manifestações

Acredito há muito tempo que o poder pertence ao povo e que aquilo a que chamamos democracia, como sendo representativa da vontade da maioria, está corrompida e não é mais um regime estável. Talvez por estas razões ou por outras quaisquer se viu tanta gente na manifestação de 15 de Setembro. As pessoas estão descontentes, com razão, verdade seja dita. Os sacrifícios que nos são pedidos não são mais consistentes e possíveis de executar. Precisamos de dinheiro, é verdade, mas sacrificar a vida das pessoas deste modo é um ultraje. Sinceramente, farto-me de pensar e não consigo encontrar uma solução eficaz para o nosso GRANDE problema. Enfim... adorei a manifestação. Apesar da solução não estar ao fundo do túnel, a nossa presença faz sempre a diferença. A minha segunda manifestação! Adoro os cartazes, os cânticos, as palavras de ordem, a intervenção. 
Falando de outra manifestação, esta de uma ordem diferente... falo, pois, da manifestação de poder que se faz sentir nas praxes. Estou a adorar praxar, é super divertido. Ontem os nossos caloiros estavam ainda um bocadinho de pé atrás, mas hoje foi muito bom. A verdade é que me chateia um bocado a hierarquia da faculdade e o facto de estas praxes estarem a ser... controversas (tinha logo de ser as nossas praxes). Esta altura deixa-me também super nostálgica. Como é bom ser caloiro e não ter metade do trabalho e conhecer pessoas novas e beber até cais para o lado. Agora que subi na hierarquia académica as coisas mudaram de figura. Temos muito, muito trabalho e levamos com tudo em cima de nós, todos os problemas, todas as coisas mal feitas. Mas apesar disto tudo, é muito bom a ligação que se vai criando entre todos os alunos do curso. Isto sim é uma verdadeira manifestação de poder bem sucedida. Não me interessa o que dizem enquanto conseguirmos criar laços entre as pessoas e, acima de tudo, tolerância. Já fazia falta alguma tolerância na política de verdade. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A vida é agora

E agora que voltei à RUB e está tudo diferente, posso respirar fundo e dizer que sobrevivi ao Verão. Aliás, passei por ele sem realmente dar por ele. Foi fantástico, um verdadeiro regresso às origens. Apaixonei-me de novo. Voltei a tudo e a todos e percebi, finalmente, o quanto amo aquele sítio. Lisboa é Lisboa. Mas ninguém me tira aquele pedacinho de terra que é meu e só meu. E dê por onde der, há coisas que nunca mudam, pessoas que vão sempre estar lá para ti e locais que tu vais sempre conhecer como a palma da tua mão. Depois daquele reencontro em que a frase mais ouvida foi "estás tão diferente", apercebi-me que as pessoas mudam mas os sentimentos nem por isso. Quando te importas com uma pessoa, não interessa muito o quanto a sua situação mudou, mas o que ela trouxe de novo, de melhor... e de pior. Quem ama ultrapassa tudo para amar. Quando olho para trás e penso nas coisas más que aconteceram, só me vem à cabeça que não guardo absolutamente nenhum rancor do que se passou. A vida continua linda e bela, cheia de coisas boas das quais devemos estar agradecidos. Vamos viver agora e não no passado, nunca no passado.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Here we are

Alegrem-se os espíritos mais inquietos. Chegou o momento em que as filas de carros invertem o sentido. Chegou a altura em que todos os Fernandos desta banda voltam para as suas terrinhas, orgulhosos de terem passado umas belas férias no sul. Chegou o momento em que tenho a minha praia de volta. Sim, a melhor parte do Verão. Quando os turistas de casa às costas me devolvem o pedacinho de terra que reclamo como minha. Muito obrigado por terem cá deixado as tais ajudinhas, não para a comunidade, claro está, mas sim para se construir mais um hotel. Mas está na altura de partirem. Não suporto mais não ter sítio para a minha toalha. Não suporto mais as filas intermináveis para chegar a qualquer sítio. Enfim... para o ano há mais. Depois de vocês vem o meu amor, Setembro, a melhor parte do Verão. Não fosse eu comportar-me tal e qual um turista, e também eu partir. 


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Reutilizar




Contracultura


Cada encontro da nossa vida marca-nos de uma forma mais ou menos especial. Confesso que as expectativas eram baixas em relação a este acampamento, que não era meu. Talvez por isso, tenha sido tão fácil retirar isto como uma experiência altamente positiva. E que ajudou a construir, não só os viajantes, mas também os anfitriões. Já os conhecia, amigos meus de Lisboa. Mas partilhar com eles a minha família, as minhas raízes, a minha vida e personalidade no seu estado mais puro, marcou-me profundamente. O espírito da viagem e a mentalidade aberta contagiaram-me também. Fiquei com vontade de ser eu a fazer aquilo. Andar à boleia sem destino. Não que eu não tivesse já este desejo intenso da viagem, esse tenho-o eu há muito tempo. Talvez por essa razão, a razão de querer algo mais, algo diferente, tenha feito de mim também uma pessoa diferente do esperado. Um dia…um dia vou ser eu! Até lá, resta-me acreditar que já marquei de forma positiva a viagem de alguém, pois para mim o karma resulta das boas acções que fazemos serem retribuídas igualmente com boas acções, podendo acontecer o mesmo com as más acções. Mas é exactamente como o Gonçalo Cadilhe diz, primeiro a viagem tem de começar dentro de nós. E o bichinho da liberdade de espírito aguçou-se ainda mais. Afinal a contracultura ainda existe. Não a contracultura que todos vêem, aquela que é mais um padrão porque, hoje em dia, ser fixe é ser alternativo. Estou a falar da contracultura que ninguém vê, aquela que acontece dentro das mentes iluminadas de um número reduzido de jovens por esse mundo fora. Foi a essa contracultura que assisti nesta viagem.