quarta-feira, 31 de julho de 2013

Identidade

Chegamos a uma fase das nossas vidas em que somos o que de mais indefinido existe. Não sabemos o que somos e muito menos sabemos para onde vamos. Tanto estamos bem como não estamos. Sentimo-nos mal por não partirmos, por não sermos corajosos e abraçarmos a vida. Torna-se difícil tudo o que está a acontecer à nossa volta, torna-se difícil encontrar um rumo. E quando vemos que toda a gente à nossa volta não está mais perdida, o desgosto toma conta de ti, por seres a última restante. E depois percebes que chegou a hora de crescer. Mas como é que nós sabemos que chegou a altura? Será agora? Que é altura de deixar as t-shirts com logos de música para trás. Talvez seja altura também de deixar para trás os sonhos de sempre, e arranjar algo mais realista. Resignar-me ao que todos querem que seja, deixar-me levar pelo que sempre lutei, pela pressão da sociedade. E quanto mais vejo os dias passarem por mim, mais sinto que nada fiz com a minha vida. Que tudo não passou de uma ilusão, de uma grande ilusão. Que afinal de contas, durante todo este caminho, eu é que estive errada. Eu é que fui a sonhadora sem fundamento, a criança.
Estou num momento tão sombrio da minha existência. E o ciclo está prestes a recomeçar e a não me deixar sair. Tal e qual Hemingway.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Absolutamente fascinada!!!

Esta foto foi tirada no Bairro Alto, fiquei imediatamente apaixonada. Ah como eu sinto falta de Lisboa.


domingo, 28 de julho de 2013

A tentar dizer coisas que não consigo

O post que se segue era de uma inevitabilidade tremenda, devido a todo o amor que nutro por cada uma das pessoas que me marcou, de uma ou de outra forma, durante os últimos meses. Todos mereciam que uma certa homenagem, mesmo que desconhecida aos olhos da maioria, fosse prestada, portanto aqui vai...

A todas as pessoas que amei e que continuarei a amar, porque o amor é a única coisa que podes pôr no mundo e esperar que seja retribuído. Vou começar pelo óbvio. A fabulosa e sempre extraordinária Residência Universitária de Benfica, o sítio onde podes ser tu. Onde tens a tua família alternativa, onde o espaço é construído pelas partes, onde tudo acontece, onde tudo é mais completa e o que completa a minha experiência universitária. Durante os últimos meses tudo aconteceu, fomos tão felizes que as palavras para o descrever se tornam absurdas. É um local de partilha e sobretudo de aprendizagem. A amizade sobrepõe-se a todas as adversidades, e é nas aterradoras diferenças que encontramos o equilíbrio. Tornamo-nos pessoas melhores com a convivência. À Cátia por ter tido paciência para aturar os "putos", e por se ter revelado uma óptima surpresa enquanto pessoa. À Andreia por ter aquela personalidade que faz todos sorrirem, que faz tudo e não se arrepende de nada, aos momentos passados com ela, a invejável capacidade que tem de facilitar o que parece um bicho de sete cabeças. À Filipa por trazer as fabulosas queijadas da Graciosa, e por ser a pessoa equilibrada que é, sempre disponível. À Magda por ser a mãe daquela gente toda, e por nos fazer pôr tudo o que consideramos importante em perspectiva, porque afinal de contas os nossos problemas são tão pequeninos. À Lisandra por ser a extraordinária pessoa que é, a amiga que foi, a minha companheira de eventos e de refeições, ensinaste-me tanto que levaria semanas a pôr tudo em papel, a alegria da casa. À Vera pela fabulosa festa romana e pela companhia no quarto. À Cândida, à minha Cândida, por todo o companheirismo, todos os conselhos, por seres uma das melhores amigas que já tive e por seres das melhores e mais fortes pessoas que já tive oportunidade de conhecer, por tudo. À Nádia por estar sempre disponível a ouvir os meus queixumes e a uma boa conversa de cusquice, por ser uma óptima conselheira no momento de ir às compras e de sair com um rapaz. À Alina pela simpatia e óptima capacidade artística. Ao João pela sua estranheza natural que o torna tão especial e único, pela simpatia, pelo jeito que tem para o desenho que me faz sempre sorrir. Ao Nuno pela amizade, pelas conversas profundos, pelos conselhos e principalmente pela ajuda no guarda-roupa e livros fantásticos. Ao Sérgio pelos seus gostos característicos que nos fazem relembrar todos os dias o que significa ser português de gema, pela amizade e sempre prontidão. Ao Gonçalo pela grande generosidade e amizade, pelo fondue durante as noites de fim-de-semana. Ao Joaquim pela amizade e sempre bons boa disposição. Ao James, que apesar de ausente, a sua presença era notada. Ao Lucas pela enorme amizade, companheirismo, ajuda nas questões académicas, noitadas, por todas as pessoas que o acompanhava que também fizeram parte da minha caminhada (Camille, Thabata, Nayara, Fabiana, Marcos, Paulo), essencialmente por tudo, vou sentir tanto a tua falta, eras a alma da festa. Ao Isaías pela sua estranheza natural mas uma boa personalidade, que faz dele uma boa pessoa e bom amigo. Ao André pela maluquice, pelas conversas totós, pelas noitadas, por todas as brincadeiras que me irritavam profundamente. Ao Hélder pela enorme amizade, pelas brincadeiras, pela tua fantástica personalidade, pela tua presença solarenga quando o meu dia estava assim para o cinzento. Ao Telmo por se ter revelado o maior maluco deste tempo, o melhor companheiro de festa e um amigo fabulosa, pela nossa relação amorosa... de irmão e irmã. A todos vocês um MUITO obrigado.

Também na faculdade houve pessoas que me marcaram e me ajudaram a sobreviver naquela que não era suposto ser a minha casa académica. À Patricia pela grande amizade, prontidão, ajuda, companheirismo, por tudo. À Margarida pela sua personalidade generosa e amorosa, por ser um docinho quando estávamos tão amargos, pela paciência. À Catarina que me compreendia sempre, pelos livros e ensinamentos, pelas tardes de churrascada, a minha companheira de festa no ISCSP. À Márcia pelo amor, pelos jantares extraordinárias e por me fazer ver que ainda há esperança depois da tempestade. Ao Ruben por toda a ajuda e amizade, pelo empenho. Ao Rui e ao Luis pela disponibilidade e palavras quando estas precisam de ser ditas.

Aos amigos de sempre. À Joana pela amizade, pelos risos descontrolados, pelas conversas e confissões, por tudo e mais alguma coisa. À Mónica pela personalidade cativante e pela ajuda na clandestinidade, por abrires sempre o champanhe e por seres das pessoas mais calmas que conheço. À Denise pelo mau feitio e ao mesmo tempo pelos conselhos estupidificados que me fazem sempre rir a bandeiras despregadas, a ti e a todos os teus amores e aventuras amorosas, ao teu roncar anormal. Ao Fábio por me fazer sempre rir e ser um bem sucedido apesar das probabilidades, o meu primo emprestado. À Laura pelo equilíbrio, por ser sempre verdadeira, por querer sempre proteger-me. À Daniela por ser uma maluca de uma amiga de sempre e para sempre. À Carolina por ser a pessoa que é, sem máscaras e sempre com a palavra na ponta da língua. À Nani pela enorme amizade, por ser super amorosa e física (às vezes precisamos disso), pelas experiências partilhadas.

A vida é construída com base nas experiências que temos, nas pessoas que conhecemos. Tenho um bocadinho de cada um em mim, e amor para todos. Para quem se vai embora só posso esperar que os nossos caminhos se voltem a cruzar, se o destino assim o desejar. Para os que ficam um até já, para alguns um até amanhã. A vida fica melhor com vocês nela.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A vida é fácil

A vida é fácil. É fácil quando tens o sol a banhar-te a pele e os teus cabelos dourados. Quando a água do mar suavemente lava todos os teus sentimentos. Quando os corpos de Verão dizem olá. Quando tens as tuas maravilhosas amigas do “no matter what” contigo. Quando amas e o sol brilha sobre ti. Quando tens óptimas surpresas veranis e quando o branco começa a contrastar contigo mesma. Ah e quando vem aquele primeiro gole de cerveja, como o escritor diria. Quando te tornas uma pessoa de detalhes e pormenores. É hora de olhar à volta e ver que a vida é bem porreira, e pôr as coisas em perspectiva e ver que sou amada, que sempre o fui aliás, porque nada mudou verdadeiramente. Nós voltamos sempre um para o outro, tu és o meu porto seguro, és tu que vejo quando o sol brilha. E sim nós somos superstars, nos nossos talentos estrábicos. Nos nossos livros de vida encontramos o mote para continuar a nossa própria vida, como Thoreau dizia “Porém, se eles [humanos] sentissem a influência da Primavera das Primaveras a despertá-los, iriam ascender a uma vida superior e mais etérea por necessidade.”. E é isto. Às vezes é preciso muito pouco para conseguirmos ser felizes como só se sonha um dia ser.

domingo, 30 de junho de 2013

O fim de um ciclo, com antecipações do que vem a seguir

Quando aquele que te acelera os batimentos, estiver longe, faz um favor a ti própria e relembra todos aqueles momentos que passaram, todas aquelas conversas absurdas e todo o amor que partilharam. Já referi aqui o quão especial é a RUB para mim, mais que a minha casa sazonal, é um lugar de redescobrimento, de amizade e camaradagem. As partes fazem o todo, como alguém diria. Mas agora que a altura das despedidas chegou, que a vida continua, que esta fase acabou para muitos, consideremos que cada pessoa nos marca de uma forma diferente, que todos os dias aprendemos algo novo. Não me posso também esquecer das pessoas que me fazem sorrir de manhã em dias de ir à faculdade. No meio de tanto amor e proximidade, os sentimentos tornam-se facilmente confundíveis, e a verdade é que estes últimos dez meses são um grande nevoeiro na minha cabeça. E depois nós olhamo-nos e beijamo-nos sem nos tocar, consecutivamente. É uma pena o Verão matar tudo o que pode ser o brilho do futuro.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

You ought to love someone


Do amor

A folha está em branco, não consigo passar para palavras esta fase abalada por que passo, por que nos fizeste passar. Como é que tu te deixaste ir abaixo de uma forma como estas? Era necessário? Deixaste que o passado nos assombrasse outra vez, que aquelas parvoíces de adolescência nos dessem a volta outra vez. Não valia a pena, isto não vale a pena quando a alma não é pequena. Nós estávamos aqui para ti, sempre estivemos. Sem a distância a separar-nos parece ainda mais difícil. Agora a apreensão instalou-se, a preocupação até. Talvez fosse altura de tentarmos outra vez, de darmos uma oportunidade à vida, de sermos nós próprios. Os meus olhos ardem, enquanto o teu coração salta uma batida, enquanto te escapas a viver a vida que te estava planeada. Os filmes malucos foram substituídos pela terrível realidade. Não sei se as minhas palavras valem a pena ou são em vão, tudo me parece numa intensa nebulosidade. Fizeste-me pôr em causa tudo o que conquistei, tudo o que deixei para trás. Mas isto eu não vou deixar para trás, porque é de amor que se trata. Vamos viver e ser felizes no nosso "deixa andar", outra vez.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Substância do amor

E ali onde o azul do céu conhece o azul do oceano, fui feliz mais uma vez. Porque não interessa para onde vá, a minha casa vai ser sempre onde o azul está. Vai ser sempre onde cheira a protector solar e brisa marítima. Vai ser sempre onde se vendem as pulseiras, onde se bebe o refresco, onde sorrimos sem razão. É onde o céu brilha mais, onde o sol queima. Mas quando volto, já nada é mesma coisa, todos mudaram, eu mudei. Continua o encanto, mas quem eu amo há muito que não está. Eu vejo tudo com olhos de quem tem tudo a perder, como se fosse a última vez que via aquele mar. E tu olhas-me com olhos sinceros, de quem não me quer perder, mas sabe que não o pode evitar. Eu volto, eu volto sempre, tu não me perdes. Só podes perder a pessoa que fui, só podes perder o amor que assombra a minha vista por outrem, só podes perder as recordações. Mas aquelas que já fizemos, já ninguém nos pode tirar. Verões e verões de recordações, de amor incondicional. O que se passa em Lisboa e o que se passa no Algarve quando estou fora pouco interessa, quando chega o Verão e nos amamos, como ninguém consegue amar. Não vamos ainda acabar com isto, quando isto é a substância do amor.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Fomos loucos outra vez

Fomos loucos outra vez. Uma última vez. Ouvimos música sem parar, dançamos até que os pés nos doessem, festejamos como se fossem as nossas últimas noites no planeta. E por uma vez na vida fomos nós no mais puro que há da palavra. Passamos a seres nocturnos, a falar sobre coisas do coração, da alma, a pensarmos na estrada da vida. Uma das melhores fases da minha vida, estamos tão felizes. Somos tão amigos. Pensar que o Verão se mete pelo meio, deixa-me com vontade de parar tempo. Uma coisa me consola, o que foi criado não morre, o que soltei dentro de mim vai ficar comigo. E eu não vou a lado nenhum, pelo menos num futuro próximo, e vocês também não, porque onde quer que vá, vão comigo. Nós vamos ser loucos outra vez, quando estivermos mais morenos, quando a nossa vida estiver dois meses mais próxima do fim, quando o tempo voltar a girar. Ah e a música, a música a bater-nos e nós com os nossos espasmos corporais a acompanhá-la, numa tentativa falhada de fazer valer a nossa felicidade. Porque chegamos a um ponto em que nenhum sorriso é mais capaz de revelar o que sentimos por dentro, é a euforia com o entusiasmo, é a felicidade misturada com café e noites vividas, bem vividas. E depois vens tu assombrar-me a mente, com toda a tua amargura por não me quereres da mesma forma que te quero, por achares que se calhar não vale mesmo a pena. E venho eu dizendo a mesma coisa, e apesar de nos apaixonarmos todos os dias um pelo outro, nenhum dá o braço a torcer. Mas essa é a minha loucura, das minhas maiores loucuras, amar-te e tu não me amares. Lá fui eu ser louca outra vez. Mas sinto-me forte, desejar que não tivéssemos ido juntos fez-me a bravura. Ah vamos ser loucos outra vez!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Uma coisa inacabada

A vida é muito disto. Amigos, festa, desilusões, nostalgia, mais festa. Hoje fui remexer num assunto do passado, não devia tê-lo feito, mas fui e tirei as minhas provas. Não correu bem, está encerrado. Para ser franca, para mim podíamos continuar no jogo do gato e do rato para sempre, ia sempre haver o clique que nos ligava sempre que ele vinha ao meu pé com as suas frases feitas. E eu derretia-me com aquele jeito de rebelde, sempre de cigarro na mão. Eu sei porque não resultou, porque ele sabe que eu sou uma pessoa para manter, e nem eu nem ele estamos dispostos a fazer esse esforço, porque ao fim ao cabo o relâmpago da situação é que nos ia juntar e não o contrário. Valeu a pena ver se valia a pena. 
E depois temos a nostalgia dos terríveis dias de chuva que me fez subitamente deprimir ao ir buscar as minhas blusas de lã. Lá estavam vocês todos outra vez a olharem, a julgarem. Lá estavam todas as desilusões, todos os romances, todos os erros. 
Mas cheguei a casa e cá estavam eles a abrirem os braços, a quem não tinha tido um bom dia, com a música do costume. Com a festa do costume, com o amor do costume, a serem quem são, a darem o amor que têm para dar. E lá fomos nós para a sala de estudo, que se torna sempre que necessário na sala de convívio, desta vez não foi excepção e desabafei contigo e com um cigarro à volta de um copo de iogurte. Ah quando isto acabar, como vou ter saudades. Mas nada acaba realmente, tudo se renova, o fim é sempre um início. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Complicação

Não consigo escrever, já não sei fazê-lo, já não consigo. Está na hora de parar, parar em silêncio naqueles sítios que tão bem conheço, sem nenhum apego deste mundo louco, só eu e o silêncio. É a minha desintoxicação, o caminho para a minha capacidade apaixonada e criativa voltar. Quer dizer, a paixão continua cá, estou apaixonada pela vida, por pessoas, por sítios, por experiências, mas não consigo escrever mais. O que é que se passa? Preciso de ti ao pé de mim, tu davas-me aquele pedacinho de amor que me fazia querer gritar ao mundo, que me dava ímpeto para fazer tudo, até pintar... Eu sei que a inspiração vai voltar, só preciso de fazer coisas diferentes. Eu gosto desta vida de festa, sempre gostei, mas sabe bem um fim de tarde pensativo, sabe bem uma ida ao museu e ouvir música, só ouvir, apreciar sem dançar. Amanhã era uma boa oportunidade para isso, mas o mundo está contra mim, e não vou poder fazer nada do que tinha planeado. Mas só para vos manter ao corrente, tenho andado numa onda muito psicadélica, muito naturalista e sempre com o motion picture da road trip na cabeça. Cabelos a esvoaçar, montes de colares, música no rádio e um sol abrasador lá fora: um run away. E o que eu queria, o que eu queria era encontrar a pessoa que se apaixonasse incondicionalmente pela minha alma, a quem eu quereria ler os pensamentos, a quem não fizesse diferença a complexidade de uma mente magoada e sedenta de vida. Ah e o vento na minha cara, as flores no meu cabelo comprido, por sinal. Cenário idílico tão bom de idealizar, vidas de pessoas que ainda não viveram. Vá lá, eu estou à espera do meu final feliz.

domingo, 14 de abril de 2013

Summer's coming

Porque o Verão está a chegar e apetece-me ar livre e diversão. Apetece-me shorts e crop tops, apetece-me dançar ao sol. Apetece-me... Mas a vida não é fácil como as fotos de Coachella ou como a música do Jamie fazem crer. O Verão é para a solidão e para a terrível passagem do tempo.  Para nossa salvação temos o Outjazz, os amigos e uma imperial ao fim do dia. Que comece o calor!

domingo, 7 de abril de 2013

Outra fase

E aqui estou eu, ainda no mesmo sítio. Com os pés no chão e a cabeça nas nuvens, assim vou indo. Com uma grande obsessão por electrónicas e coisas que me fazem querer tirar também os pés do chão. Uma fase transcendente, como eu gosto de lhe chamar. Uma profunda paixão pelo estranho. Uma viagem através do som e do olhar. Aqui vou eu...


sexta-feira, 22 de março de 2013

Malditas perspectivas

Tudo depende da perspectiva com que vemos as situações. No entanto, a Humanidade costuma estar cega demais para ver os reais acontecimentos e, em vez disso, fantasia-os. É o que me está a acontecer, quando queremos tanto que algo aconteça tendemos a pôr esperanças onde elas não existem e ver coisas que nunca se passaram. E assim vamos vivendo, a magoar-nos com coisas que inventamos na nossa cabeça.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Revoltas populares

O que é que eu vi hoje? Um bando de jovens dos late 80's e dos 90's a sentirem os seus sonhos destruídos de uma forma que ninguém consegue controlar, a sentirem que as opções escasseiam e que o paraíso tarda a aparecer. Não vivemos num Portugal extremamente pobre como acontecia antes de todos nós nascermos, mas vivemos num em que nos foi dito que íamos ser tudo o que queríamos ser e que iríamos poder fazer tudo e agora cortam-nos as asas. Cortam-nos mais que as asas, tiram-nos literalmente o chão. Foram-nos feitas promessas que nunca poderão ser cumpridas. E é isso que revolta, é isso que faz com que acontecem cenas de desespero como a que se viu na faculdade. Sim, porque o que aconteceu foi feito porque ainda existem pessoas com sonhos que não se acomodam a uma situação, e acreditam que as coisas podem mudar para melhor, acredita na boa fé dos seguintes.
O que eu vejo é o último rasgo da democracia, o que eu vejo é um Primeiro-Ministro e outros tantos a gozarem com a cara de quem trabalhou uma vida inteira e agora não consegue encontrar trabalho, porque Portugal é um país de vendidos e nós deixámos-nos vender, no sentido mais literal que podem pensar.
Mas não fazemos por merecer essa tão esperada mudança, e isso é que me deixa triste.

sábado, 16 de março de 2013

Normalmente consigo estar bem com o que se passa, com a forma como as coisas correm, como tudo se procede. Afinal de contas está tudo bem, só sinto que podia, não sei, estar melhor. Digamos  que existem dias em que me dá aquela sensação de que não corre mesmo nada bem, que me vejo frequentemente sem qualquer tipo de "sorte" (se assim lhe quiserem chamar). Mas depois aparece aquela imagem fantástica, que é de resto o sítio para onde vou quando este mundo não é o suficiente, e ali estou eu, feliz com o sol no meu rosto e tudo é verde e azul e tudo está bem no paraíso. Quando encontrá-lo na realidade terei atingido aquilo a que eu chamo carinhosamente de supremacia do ser. Nesta altura vou poder dizer por fim, que já valeu a pena. Todos os dias, uns mais que outros, vejo rasgos do que penso ser esse sítio. A última vez que o vi foi, sem dúvida, na semana passada enquanto voltava para casa no metro e lá estávamos todos, cheios de frio, encharcados e completamente destruídos. A destruição é boa, lembra-nos porque é que estamos vivos.

sábado, 9 de março de 2013

Romance de um dia na estrada

Depois de um fim-de-semana a mil, o meu balanço é positivo, porque por alguma razão o destino quis que nos cruzássemos. Porque é que foi o destino? Porque duas noites seguidas tu estavas onde eu estava e duas noites seguidas vi os teus olhos. Não quero pensar que foi um acaso, porque subtilmente senti. Por isso, e por tantas outras razões, quem sabe o destino não nos põe outra vez no mesmo sítio para voltarmos onde estávamos?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cheguei a um ponto da minha vida, em que relacionar-me com as pessoas é difícil.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Trabalho

Tenho uma vontade enorme de voltar a casa. Andar desorientada com o meu caderninho a desenhar, a pintar, a escrever. Ler até as leituras se me acabarem. E reflectir sobre tantas outras coisas que me ocupam a mente. Por enquanto ainda tenho que mergulhar a minha cabeça um monte de coisas que não me interessam minimamente. Depois disto, vou cometer uma loucura. Ah sim, claro que vai ser contigo que vou fazê-lo. No nosso fabuloso Algarve. Até lá, resta-me a chuva que cai copiosamente em Lisboa e as folhas de estudo que inunda o disco do meu computador, onde deviam estar era memórias. Não estou a produzir memórias porque estou enfiada no meu quarto a estudar. Sexta já vai ser melhor.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Porque não faz mal

Ontem fiz tudo. É depois de dias daqueles que eu penso que já vivi, que afinal sempre fiz alguma coisa com a minha vida.
A Catarina voltou, aquela pessoa completamente especial que conhece toda a gente, que faz tudo por toda a gente. Ela vem para nos relembrar que estamos a viver mal, que não é assim. Que tudo o que valorizamos e pelo qual choramos, não faz absolutamente sentido algum. Que não faz mal darmos todos os nossos desenhos, todas as nossas roupas, todos os nossos pertences e partir. Como ela dizia era a feira da ladra em que não era preciso pagar. Ela vem para nos dizer para escrever cartas para o mundo, cartas para um estranho para lhes relembrar que o mundo não é tão mau assim. Ela faz de carteira, entrega as cartas a quem lhe aparece à frente e pede que escrevam uma de volta para o mundo, com muito amor. E lá tive direito à minha carta do mundo, com uma história alucinante e mágica lá dentro, de pessoas que escreveram para alguém, nunca sonhando que iria parar às minhas mãos. Ela veio para nos relembrar que não faz mal partir. E ela vai. Dia 31 vai embora uma das pessoas mais extraordinárias que alguma vez tive a oportunidade de conhecer. Ela vai com todos nós com ela. Com ela, também vai um pedacinho meu. Ela veio para nos lembrar que é a pintar que somos felizes, que todos somos artistas. E, como de todas as vezes, pintámos. E como de todas as vezes, ela vinha com mil projectos em mão que não lembram a ninguém, e no entanto parecem fazer tanto sentido. O mais importante desta derradeira altura era a edição do livro, o qual um bocadinho fui eu que fiz. As Indefinições são da minha autoria para o mundo (afinal sempre tenho uma pontinha de artista em mim). Foi o meu pequeno contributo para um sonho de alguém. Isso faz-me pensar que já concretizei parte do meu sonho: ajudar os outros com os seus sonhos.
Ela vai partir, no final da próxima semana, mas onde ela passa deixa um rasto de luz, que mais ninguém consegue, e sem dúvida, que torna qualquer de nós mais feliz. Se não te tivesse conhecido não seria capaz de ver as coisas de uma perspectiva que partilhaste connosco todos os dias. Todos os dias em que vivi contigo e todos os dias em que não viveste, e todos os dias em que não vais viver. Tu és uma luz que mais ninguém consegue ser. Se o mundo tivesse pessoas tão especiais quanto ela seria um sítio, seguramente, melhor.
E quem não conheceu a Catarina nunca vai saber o que é a pureza de um ser.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Boémia

Ontem foi uma noite fantástica, daquelas que já não tinha há algum tempo. Apesar do tempo, têm sido dias malucos, cheios de coisas boas. Depois dos exames já merecia. Entretanto descobrimos um sítio fantástico aqui em Benfica, onde passar as nossas noites. Até conhecemos o patrão e tudo, foi fantástico. Afinal existem jovens em Benfica, eles estão todos lá. Uma banda ao vivo, cerveja e a melhor companhia que podia ter. Têm sido noites boas. Agora é altura de voltar ao estudo, em Fevereiro estarei de volta a esta vida boémia.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A saudade do que passou

Assombra-me com uma tristeza enorme olhar para trás e ver que nada correu bem. Que nos amamos e que tudo acabou. Que a esperança para mim acabou. Que tu seguiste em frente primeiro e eu continuo presa às borboletas no estômago. Que tu me tocaste como ninguém conseguiu. E por ter passado quase um ano e eu continuar presa a pensamentos que não quero ter, por achar que éramos perfeitos um para o outro e tu te foste embora sem razão. E eu continuo naquela previsível estupidez, de esperar que, de algum modo sobrenatural, tudo mude e tu voltes, me entres pela porta inexplicavelmente e me digas tudo o que quero ouvir, outra vez.

Nada disto faz sentido, o universo não quer, tu não queres, eu não quero. O que eu quero é esquecer, mas o problema tende a ser, unicamente, esse. Olho para mim e para ti. Nós mudámos. Acabou.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Futuro

É difícil. Ninguém o nega. Mas é bater punho, bater punho e acreditar que algum dia as coisas vão melhorar, que algum dia vai haver esperança e futuro para nós. Seja a viajar, a trabalhar aqui ou na China, um dia estes momentos vão valer ouro e quem é insistente e desconcertado sempre encontra o seu caminho. Quem não se contenta vai sempre arranjar uma forma. Vai doer, vai doer tanto, vamos magoar-nos uns aos outros com as nossas decisões, vamos condicionar oportunidades, vamos abdicar de coisas importantes, mas chama-se vida. É necessário. Um dia... um dia eu sei que te vou encontrar e que vai haver esperança, que vamos estar a dar alguma coisa melhor a este mundo, porque no fim de contas se pensares bem, foi para isso que viemos. E como só vivemos uma vez, mais vale vivê-la bem e como deve de ser. Chorar menos e rir mais. Preocupar menos e esperar mais. Tudo se vai resolver. No fim tudo vai fazer sentido. No fim vamo-nos aperceber que é apenas o início, o início de alguma coisa tão bonita que os nossos corações vão ter de se expandir para a absorver. Tu vais com certeza estar a produzir, tu nasceste para viver não para estar atrás de uma secretária. Tu és como eu, somos a mesma em duas pessoas diferentes. Anseias por tudo e por nada, ao mesmo tempo. És um constante remoinho de sentimentos e sensações. Aspiras à mudança, porém esta assusta-te. E cá estamos nós, outra vez, no ponto fulcral: a coragem. Se nós tivéssemos coragem, o mundo estava aos nossos pés, seríamos rainhas de reino algum, seríamos sereias de praias de areia branca e chegaríamos àquele sítio onde pouca gente chega, que só os pródigos conseguem atingir. Mas deixemo-nos de "ses", a vida é agora, não ficamos mais novos, o tempo é uma constante em movimento, a hora é agora. Depois de tentar, partir a solução. Partir sem destino, sem dinheiro mas com amor para dar e vender. Porque se há alguma coisa de relevante que possas pôr neste mundo, e ansiar para que ele te dê em troca, é o amor.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012..3

2012, o que dizer sobre este ano? Comecei o ano da melhor forma, com uma pessoa muito especial para mim. Passado cerca de 4 meses porém, essa pessoa tinha saído da minha vida. Foi o início de um novo ciclo, de um melhor ciclo arrisco-me a dizer. Fiz tudo. Fui modelo por um mês (tecnicamente ainda sou, mas pouco importa agora), algo que me deu uma confiança de que eu realmente precisava depois da break up. Em 2012 fiz o meu primeiro trabalho a sério. O primeiro ano da faculdade foi melhor do que esperava, fiz todas as disciplinas. Tive uma experiência de quase morte, e tive de lidar com as terríveis despedidas. O Verão foi bom, como todos os outros, percebi que há amigos que são para a vida e outros que nem por isso. Foi um ano cheio de paixões para ser. Em Setembro, de regresso a Lisboa, vivi uma vida boémia: manifestações, cafés ao final da tarde, concertos, festas, fiz tudo e mais alguma coisa. Deparei-me pela primeira vez que a Humanidade é naturalmente selvagem e má. Entrei numa odisseia de relacionamentos, saí magoada. Perdi uma grande amiga (mais uma vez vi que se não formos nós, ninguém é por nós), mas ganhei tantos outros. Vivi problemas verdadeiros, daqueles que nos protegem quando somos mais novos. Apaixonei-me pela moda, por Lisboa, pela música, pela cultura. Encontrei-me comigo novamente, depois da minha "odisseia". Defini prioridades e acima de tudo aprendi a respeitar-me como nunca tinha acontecido. Fiz 19 anos e senti que ainda não tinha vivido, continuo a senti-lo.

2012 foi um ano de reencontro pessoal, de aprendizagem e de muito divertimento. Houve mais prazer que trabalho em 2012. E, para mim, todos os anos são sempre melhores que os anteriores. Vamos ver o que 2013 me reserva.

sábado, 29 de dezembro de 2012

New Year's Eve

Todos estes sentimentos voltaram. Talvez seja por me sentir de alguma forma mais perto da pessoas, talvez seja por ter tudo e sentir que não tenho nada, ou talvez seja por me terem deixado aqui sozinha, e subitamente ajo como uma criança carente. Perco-me nestes pensamentos que não quero, de modo algum, ter. Passada a azáfama de Lisboa, sinto-me terrivelmente próxima de quem não quero estar, sinto-te outra vez como casa. Tu não és casa. Tu és tudo menos casa.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Uma questão de coragem

Hoje não é um dia particularmente feliz. Depois de ter ido ao aeroporto abateu-se sobre mim uma necessidade enorme de partir, e ao mesmo tempo, de ficar. Preciso de sair daqui, é uma necessidade. Preciso de fazer algo novo, preciso de viver. Lisboa vai sempre fascinar-me, mas a minha alma inquieta não me deixa estar no mesmo sítio durante muito tempo, com as mesmas pessoas. Estou farta da rotina e das linhas rectas. Chegou a hora de mudar, chegou a hora de tomar coragem e partir sem destino. O que preciso, o que preciso realmente, é daqueles 20 segundos de coragem, fazer e não olhar mais para trás. Confiar na decisão, mudar se não estás bem. Chegou a maldita hora. Eu vou fazê-lo. Só preciso da maldita coragem. Porque partir é uma questão de coragem. Mas o que dói mais, o que dói realmente é ver os amigos a partirem, uns atrás dos outros. O que dói é passar o Natal sem os irmãos. A quantidade de pessoas que vou perder para o mundo, até Junho, é maior do que a minha mão consegue contar. É cruel vê.las partir, é cruel ter de deixar a vida para trás. É cruel eu não partir.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Festa de Natal


E pronto assim foi a festa de Natal da residência :). Foi divertida, não durou a noite toda mas deu para conviver e estar com os amigos. Já disse aqui, várias vezes, o quanto a RUB significa para mim, este foi mais um dos momentos porque me sinto extremamente feliz por fazer parte desta família. Os amigos que aqui se fazem são realmente especiais, e se queres conhecer bem uma pessoa tens de viver com ela. Não são os amigos que conheces na faculdade que ficam para a vida, são aqueles que fazes na RUB. Já estou a intrigar a minha cabeça com a saída deste sítio maravilhoso, mas acredito que ainda melhores tempos virão. O que me custa realmente é a saída das pessoas cá de casa, isso sim me custa. O que nos vai restar são estas memórias: as festas, os jantares, o simples convívio na hora de fazer o jantar, a hora do chá, a especificidade de cada um e as diferenças a ajustarem-se perfeitamente. Essa é a beleza da amizade. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nobody

Um dia.. um dia vou viajar, conhecer sítios, libertar-me. Não vou mais estar confinada às paredes do meu quarto e aos livros sobre viagens. Vou lá ver por mim mesma. Vou ver pessoas, locais e apaixonar-me. Apaixonar-me pelo mundo. Até lá, sonho com o momento em que vou ser corajosa o suficiente para o fazer. O primeiro passo já o fiz, deixar de pensá-lo como um sonho e passar a pensá-lo como algo que vai efectivamente acontecer. Num mundo em que não nos são dadas muitas oportunidades, mais vale fazermos nós próprios por sermos felizes. Estar à espera do sistema para que ele te arranje uma vida, não resulta nos dias que correm. Chamem-me alucinada, é o que sou. Alguém dizia que o sonho comanda a vida, pois o meu não é mais um sonho. Chame-mo-lo um esboço, ainda no seu estado mais primário é certo, mas caminho para que o desenho fique terminado. Não me interessa quando é que esse desenho vai ficar acabado, pode ser amanha ou daqui a 30 anos, o que eu sei é que inevitavelmente e porque é a única verdadeira e real coisa que eu quero, ele vai acontecer. Vai ser um desenho todo pipi e eu vou desertar, vou encontrar-me por esse mundo fora, vou escrever livros, vou ser feliz, não, vou ser ainda mais feliz do que sou agora. E depois alguém me vai escrever uma canção e dizer em vez de matilda, Susana. Vai tudo correr bem, fora dos planos vai tudo correr lindamente. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Chorei... mas depois pensei fuck it ninguém vai chorar por mim. As pessoas revelam-se enormes desilusões, não há ninguém que fique. A minha complexidade afasta todas a gente, é por isso que eu prefiro estar sozinha. Porque maior solidão não é esta sozinha mas sim estar com as pessoas erradas. Tento viver superficialmente para não entrar naquele sítio escuro onde não quero ir, mas às vezes é mais forte e não há como controlar. Pensar estraga tudo, estraga sempre a nossa ilusão de felicidade. A verdade é que consegui afastar todas as pessoas de quem gostava, a verdade é que não quero mais continuar aqui, a verdade é que não faz mais sentido , nunca fez mas eu insisti. Não resultou, está na hora das terríveis mudanças. Continuarei aqui? Ainda não sei.